segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Amor Incondicional

Me lembro até hoje o dia em que ela chegou em casa. Uns dias antes meu irmão havia dado um "show" no Wall Mart, onde estava tendo uma feira de filhotes, e ele chorou, esperniou que queria um cachorro, porque todos os amigos tinham um, menos ele, e o aniversário dele estava próximo. Mal sabia ele que a Fefê já era dele, ou melhor nossa. Minha mãe foi a um canil de Sheepdogs (a raça da Priscila da Tv Colosso) e lá encontrou a Fefê, a mais quietinha de todos. Ela era grande e peluda.No dia do aniversário do meu irmão, tínhamos ido ao clube com meu avô e quando voltamos à casa dele , minha mãe e minha avó nos esperava com a Fefê, escondidinha dentro de uma caixa de papelão e com um laço rosa na cabeça, até hoje eu me lembro. Com 2 meses ela já era enorme, com uma patona. Era medrosa que só! Desde o primeiro momento que a vi, passei a amá-la! Amava aquela bolinha de pêlos medrosa. Na época morava num apartamento e ela foi pra lá, me lembro dos primeiros dias, era um parto pra ela fazer xixi no jornal. E dá-lhe "Pipi-dog". Ir à Cobasi era uma festa, comprar osso daqui, roupinha dali.E todas as manhãs eram iguais, minha mãe deixava eu e meu irmão na escola e a Fefê...ia pra casa da minha avó, lógico! Era um bebezão, não ficava sozinha, passava as tardes na casa da avó, como qualquer neto. Aí foi mudança daqui, mudança dali e ela mudou de vez pra casa dos meus avós. Mas nem por isso deixei de amá-la! E era tão mimada, paparicada, comia macarrão com molho, arroz, salsicha e nos aniversários tinha direito a bolo! Nunca foi uma "cã" (como eu gostava de chamá-la) muito comum. Quando a levávamos ao Parque Ibirapuera era muito engraçado, ela tinhamedo dos outros cachorros e só queria saber de gente! Nunca aprendeu a passear, até hoje não sei como minha avó conseguia levá-la pra passear, ela puxava tanto! Aí os anos foram passando, e esse ano , o 10º aniversário dela não foi tão alegre quanto os outros, ela tava doente, o médico não deu mais que 1 mês de via à ela, estava com câncer. Mas nem por isso ela se deixou levar, comeu seu ossinho como nos outros aniversários, latiu na hora do parabéns (ela nunca gostou muito de barulho),comeu o bolo (omelho pedaço era dela) e bebeu água, molhando todo mundo com a "barba"dela. Os dias foram passando e ela foi piorando. Nessa tarde não estava me sentindo muito bem, a Fefê me veio à cabeça. Me deu um aperto no coração. Liguei pra minha mãe e ela disse que meus avós a tinham levado pro veterinário. A partir daquele momento sabia que nunca mais ia ver a Fefê! É muito triste escrever isso, queria estar enganada, mas foi o que aconteceu. Quando cheguei à casa dos meus avós, tive a nítida impressão de a ver deitadinha na janela e abanando o rabinho (ou melhor, o bumbum todo, pois ela só tinha um "cotoco" de rabo) enquanto eu entrava. Mas foi só impressão. Entrei chorando, desesperada, procurando em todos os cômodos da casa! A ficha só caiu quando o jornal dela, do quintal não estava mais lá, nem a coberta dela no chão, nada. Me lembrei daquela música do Chico Buarque que diz:"A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu ..." , pode parecer exagero, mas só quem teve algum bichinho de estimação e perdeu sabe o que senti, o que estou sentido.Ver o ossinho dela todo mordido foi de cortar o coração. Choro por não poder mais abraçar aquele bebê peludão, de não poder mais beijar e falar o quanto eu a amo. A hora de dar boa noite parameu avós não será mais a mesma, ela não vai mais latir de ciúme e deitar em cima da minha avó porque eu dei um beijo de boa noite. Choro por não ter mais o amor dela aqui do meu lado, um amor que supera tudo, o único amor realmente incondicional.

2 comentários:

min disse...

"e hoje eu sei, sem você sou pá furada"

Raquel Luanda disse...

ahh a fefe..
=(
lindo texto min, lindo e triste..
sinto falta das minhas cãs tb
das que estão no paraiso canino, e das que simplesmente nao estao aqui..
Ja sabe neh?! Hoje, aqueeeele abraço!

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