domingo, 21 de fevereiro de 2010

O mistério da jabuticaba.

Você já comeu jabuticaba?

Nina também não.

Nunca tivera coragem, na verdade, a palavra certa é vontade. Sempre achou que ela tinha um aspecto meio estranho e a lembrava algo azedo. Enfim, não chamava sua atenção, e olha que ela comia de tudo, sem frescuras.

Mas um dia desses descobriu um pé de jabuticaba, assim por acaso. Estava andando e uma jabuticaba caiu aos seus pés.

Aquela bolinha preta (há quem diga que ela é roxo-escura) foi deslizando pela calçada e deparou-se com o asfalto a sua frente, onde parou.

Nina ficou ali parada, observando-a. Quem passava pela rua devia achar que ela era maluca. Nina quase que podia ouvir os murmurinhos:

“O que tanto aquela menina olha?

“Puuf, deve ser maluca!”

“Qual a graça em ficar olhando uma jabuticaba?”

Pois é, quem dera soubesse a resposta. O mais estranho é que ela nunca experimentara aquele sabor. Já tinha ouvido muitos dizerem que é uma delícia, doce. Mas também ouviu declarações não muito agradáveis.

Depois de passados alguns minutos de observação e deslumbramento, tomou uma decisão: pegou a jabuticaba, colocou-a num potinho que tinha na bolsa (que mais cedo trazia pedaços de mamão, que foram devorados na hora do intervalo das aulas) e levou pra casa.

No caminho foi pensando o que é que tinha chamado sua atenção para aquela pequena fruta e por mais que pensasse nada vinha à sua cabeça. Nina simplesmente não conseguia parar de olhar pra jabuticaba, alguma coisa nela a atraia, como um ímã.

Nina chegou em casa e queria dividir aquela sensação com alguém, pra ver se sentiam o mesmo que ela, ou que pelo menos a entendessem e explicassem o que estava acontecendo. Mas foi só parar pra pensar por um segundo que viu que aquilo tudo era uma grande loucura. Não havia nada com a jabuticaba e todo esse mistério era coisa de sua cabeça (ou não).

Nina foi direto à cozinha e guardou o pote na geladeira, tomou um banho e foi dormir (sem comer nada mesmo, aquela história já tinha rendido muito e a deixado sem fome).

Demorou a pegar no sono, virava de um lado pra outro pensando na jabuticaba e não é que até sonhou com a bendita!

Quando acordou, não resistiu e deu uma olhadinha nela, pela fresta da geladeira. Não se conformava como alguma coisa podia prender tanto assim seu pensamento, ainda mais uma fruta que tinha um aspecto estranho e azedo para ela.

No dia seguinte, após a aula decidiu voltar ao pé de jabuticaba, pra ver se encontrava a resposta para sua indagação. Foi aí que ficou mais confusa: olhou pra jabuticabeira e não viu nenhuma graça nela, pior, não teve vontade de ficar observando-a, tal como a jabuticaba que levou para casa.

Já cansada dessa história, foi pra casa, embalou a jabuticaba em um papel alumínio e colocou-a no congelador. E lá a jabuticaba ficou. E lá é onde ficará até que esse mistério todo se resolva para Nina, até que ela decida se quer experimentá-la.

Porém receio que se Nina o fizesse acabaria com todo esse deslumbramento e pior, nunca mais poderia observá-la.

O jeito, Nina, é continuar observando-a pela frestinha.

Um comentário:

Raquel Luanda disse...

jabuticaba é doce, mas não é mole não.

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