
Você já comeu jabuticaba?
Nunca tivera coragem, na verdade, a palavra certa é vontade. Sempre achou que ela tinha um aspecto meio estranho e a lembrava algo azedo. Enfim, não chamava sua atenção, e olha que ela comia de tudo, sem frescuras.
Mas um dia desses descobriu um pé de jabuticaba, assim por acaso. Estava andando e uma jabuticaba caiu aos seus pés.
Aquela bolinha preta (há quem diga que ela é roxo-escura) foi deslizando pela calçada e deparou-se com o asfalto a sua frente, onde parou.
“O que tanto aquela menina olha?
“Puuf, deve ser maluca!”
“Qual a graça em ficar olhando uma jabuticaba?”
Pois é, quem dera soubesse a resposta. O mais estranho é que ela nunca experimentara aquele sabor. Já tinha ouvido muitos dizerem que é uma delícia, doce. Mas também ouviu declarações não muito agradáveis.
Depois de passados alguns minutos de observação e deslumbramento, tomou uma decisão: pegou a jabuticaba, colocou-a num potinho que tinha na bolsa (que mais cedo trazia pedaços de mamão, que foram devorados na hora do intervalo das aulas) e levou pra casa.
No caminho foi pensando o que é que tinha chamado sua atenção para aquela pequena fruta e por mais que pensasse nada vinha à sua cabeça. Nina simplesmente não conseguia parar de olhar pra jabuticaba, alguma coisa nela a atraia, como um ímã.
Nina foi direto à cozinha e guardou o pote na geladeira, tomou um banho e foi dormir (sem comer nada mesmo, aquela história já tinha rendido muito e a deixado sem fome).
No dia seguinte, após a aula decidiu voltar ao pé de jabuticaba, pra ver se encontrava a resposta para sua indagação. Foi aí que ficou mais confusa: olhou pra jabuticabeira e não viu nenhuma graça nela, pior, não teve vontade de ficar observando-a, tal como a jabuticaba que levou para casa.
Já cansada dessa história, foi pra casa, embalou a jabuticaba em um papel alumínio e colocou-a no congelador. E lá a jabuticaba ficou. E lá é onde ficará até que esse mistério todo se resolva para Nina, até que ela decida se quer experimentá-la.
Porém receio que se Nina o fizesse acabaria com todo esse deslumbramento e pior, nunca mais poderia observá-la.
O jeito, Nina, é continuar observando-a pela frestinha.
Um comentário:
jabuticaba é doce, mas não é mole não.
Postar um comentário