Eu te traí. Talvez essa não seja a melhor forma de contar, mas foi a melhor que encontrei. Sei que é difícil acreditar, uma vez que sempre demonstrei muito interesse e carinho. Mas eu o fiz. Não que não gostasse de você. Na realidade aprendi a gostar de nós dois juntos e da nossa rotina. Mas o que é surpreendente é que nunca gostei de rotinas. E foi assim que uma pessoa apareceu na minha vida, quebrando a rotina, que no início parecia me agradar, mas a minha natureza ia contra isso.
O sexo não era ruim, no início. Depois passou a ser monótono, procurava novidade. E essa novidade apareceu na minha vida de uma maneira curiosa e não poderia deixar escapar assim, era a minha felicidade em jogo. Era cada dia uma loucura nova, um lugar novo. E você sequer desconfiou. Os álibis eram perfeitos e até inocentes, confesso, nem eu desconfiaria.
Devia guardar esse segredo comigo para evitar sofrimento? Talvez. Mas meu egoísmo foi maior. Isso me inquietava. Perdão também não peço, mas agradeço por “ouvir”a confissão. Por fim e sem mais explicações de porquês o que me inquietava cessou.
A propósito, continuo tentando quebrar a rotina: encontrei uma “novidade” recentemente, mas, pasme, está virando rotina. Entretanto, depois dessa experiência imagino que serei capaz de transformar essa rotina sem procurar “novidades”. Porém, não medirei esforços para encontrar minha felicidade, e se necessário o farei sem nenhum peso na consciência.
Mas isso não é mais de seu interesse,não é mesmo? Aliás, nem sei ao certo se essa confissão o é. Fique à vontade para sentir o sentimento que for de mim, é natural.
Agradeço mais uma vez por ler essa carta. Não espero resposta.
Adeus.
Um comentário:
cachorro! ou cachorra!
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